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quinta-feira, 1 de março de 2018

SENTIR SEM NOME



Insensato é viver em migalhas de certos amores
que sequer se dão o calor de se desnudar.
Cá estou a contemplar o retrato que rabisquei de mim
quase que num desespero fantasmagórico disfarçado de felicidade.


Vou à janela da alma na esperança de vencer
esse encaramujamento narcísico, voltar a sorrir como menino
e de forma pueril voltar a sentir os efeitos borboléticos do amor.
Amor que não me tire a falta, mas que cause desejo em insistir na vida.

A gente só conhece o amor percorrendo o seu caminho
 [que é um saco às vezes, por dar um trabalhão],
no qual eu mesmo não me atrevo a dizer a direção.

Em minha aparência inteira em forma física, sorrio ao escrever
esse corpo amontoado de palavras, para acenar ao que fui de mim mesmo
e dar as boas vindas ao que está a chegar a mim.


Vou à janela dos meus olhos esperando que algo da ordem
do meu vazio se desenhe de forma mais compreensível ao externo,
para que eu possa criar um saber sobre mim mesmo.

Essas ideias malucas sempre surgem após me espalhar pelo divã,
experiência que se assemelha para mim como uma máquina do tempo,
chegamos sem querer dizer um pingo de palavra e quando nos damos
conta do tempo, dissemos coisas do arco da velha sobre o que há em nós.

Sei que o que mais me assombra na análise é não saber nada de mim,
por sempre estar à mercê da grande pergunta: quem sou agora?

O vazio enorme cheio de conteúdo se abre em minha mente,
um infinito que não dá garantias alguma que ao encostar-se a ele
possa se chegar ao topo de um conhecimento divino de si mesmo.

Sobrevivo, mas pelo amor [e seu avesso] que sequer consigo descrever,
estou a caminhar por existir algo da ordem do desejo que impulsiona
a seguir em frente.


Maicon Vijarva I 2018/03/01


sábado, 17 de fevereiro de 2018

AMAR É RALAR-SE


Você reflete
Na minha garota
Íris. 

As borboletas 
Em minha barriga 
Coçam a boca 
Do estômago.

Será que é a alma
Dando a letra
De algo da ordem 
Do amor?

É como voltar
Ao playground,
Essa experiência de 
Amar.

A vida é tão mais leve, 
Numa intensidade
Que choca a alma
Com a pele,
Pelo toque quente
Do amor,
Que nem sempre aquece.

Ralar ao brincar de
Amor dói, mas é
Dor que arde e logo leva
À novos amores.

Amar é a possibilidade
De acreditar que
Existe esperança
De um mundo melhor.

Amar nos
Deixa vulneráveis
Ao fracasso,
E mesmo que triunfemos,
Sempre iremos nos haver com o
Vulnerável, confuso e frágil
Do amor.


Amor é lúdico
Mesmo assim é difícil
De aprender a brincar de amor.

Para amar
é preciso se ralar.


2018/02/17
Maicon Vijarva

Leia ouvindo:
https://www.youtube.com/watch?v=aO3COzIGr1U

Visite:
https://andocompletodevazios.blogspot.com.br

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

DESATAR EM LAÇOS



Escrever é como pular do alto 
Em queda livre e sentir o frescor 
Que as palavras podem oferecer 
Algo da ordem que possa causar 
Movimento de desejo pelo ar que 
Respira-se.


Escrevo não para aliviar a dor
Porque nada pior que rasgar-se 
Em si mesmo para expor sob o vermelho tinta
Aquilo que em nossa profundeza 
Inquieta e desestabiliza.


Percorro passado, presente e futuro
Sem qualquer lógica, para criar algo
Com todo esse vulcão que me implica 
Convocando meus monstros a contribuir 
Com algo da ordem dualista entre amor e ódio. 
Nessa imensa intensidade, 
Vou me aproximando mais, ainda
Do que seja o amor.


Escrevo para saber-fazer algo 
Com as pulsões que habitam em mim
Penso em minhas dores para dar cores
Penso em mim para não afogar em ilusões
Apostar na vida é dar algo que não se tem ao mundo e a si mesmo.


Amante do amor e do desejo, 
vou desatando nós em mim....
Transformando-os em laços-outros meus. 

Maicon Vijarva
2017/12/25

AMAR-NÃO-TODO-AMAR



Amar impulsionou-me 
A jogar-me sem medo ao 
Precipício do não-todo
Que me constitui.

Amar ensinou-me a querer 
Sempre mais da vida.

Amante fui me tornando
Sujeito desejoso
Com medo de ceder ao gozo
Com medo de ceder ao desejo
Do outro.

Amar descontruiu meus caminhos
Implicando-me a fazer algo novo
Repetidas vezes
Quando acreditava ter chego ao 
Paraiso.

Amar tornar-me sujeito
Vulnerável e ao mesmo tempo
Seguro de estar vivendo 
Intensamente.

Amar constituiu-me 
SER
HUMANO.

2018/01/17

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A BUSCA ANALÍTICA


Situado numa poltrona, 
Penso, quando não quero...
Rasgado por dentro, 
Quase ou sempre 
Não encontro palavras
Para situar-me através 
Da escuta do que me falta.

[Falo para que um dia
Eu possa ouvir e recalcular 
A rota, a minha rota.]

Sempre há algo em mim
Que me ultrapassa, 
surpreende e me faz desejar
Mais, ainda o que desconheço.

[Sou exatamente o que 
Não posso descrever...
Repito para fazer algo novo 
Do que me falta]

Sigo sempre tentando 
Fazer novo algo que do
Passado me faz causa.

Maicon Vijarva

2017/12/19

TRÍADE DA VIDA


[O passado se envolve 
com o presente na mesma
intensidade que 
o futuro se envolve 
com o passado.]

O presente só é
O caminho para o sujeito
Fazer melhor [ou não] com a 
Forma com que 
Goza sua vida,
Sempre se havendo
Com a responsabilidade
Do passo dado.


Maicon Vijarva
2017/12/19