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sábado, 17 de fevereiro de 2018

AMAR É RALAR-SE


Você reflete
Na minha garota
Íris. 

As borboletas 
Em minha barriga 
Coçam a boca 
Do estômago.

Será que é a alma
Dando a letra
De algo da ordem 
Do amor?

É como voltar
Ao playground,
Essa experiência de 
Amar.

A vida é tão mais leve, 
Numa intensidade
Que choca a alma
Com a pele,
Pelo toque quente
Do amor,
Que nem sempre aquece.

Ralar ao brincar de
Amor dói, mas é
Dor que arde e logo leva
À novos amores.

Amar é a possibilidade
De acreditar que
Existe esperança
De um mundo melhor.

Amar nos
Deixa vulneráveis
Ao fracasso,
E mesmo que triunfemos,
Sempre iremos nos haver com o
Vulnerável, confuso e frágil
Do amor.


Amor é lúdico
Mesmo assim é difícil
De aprender a brincar de amor.

Para amar
é preciso se ralar.


2018/02/17
Maicon Vijarva

Leia ouvindo:
https://www.youtube.com/watch?v=aO3COzIGr1U

Visite:
https://andocompletodevazios.blogspot.com.br

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

NEM TENTE... AME!




No continente dos teus braços
A fragilidade da angústia se esvanece
Como pássaros em busca de liberdade.

Lugar em que todo vazio faz morada
Sussurrando palavras sérias em tom pueril
Virando poesias em sua escuta atenta.

Do lugar em que parto em busca de saber
O que estrutura todos os mundos que há em mim
Na Amazônia inteira do belo vazio do amor
Dissolvo-me
No mais natural que se faz em mim.

No lugar onde um dia estive
Não mais estou
O amor vive a me achar
Nos devaneios em que repouso a alma.

Não me tire daqui
Faça o mundo parar 
Para eu experimentar
Um pouco mais de todo esse amor.


Abraça-me e diga o quanto sou louco
Enquanto acaricia a minha boca
Com teus beijos calorosos
Tirando todo meu ar...
Liberta as borboletas
Que fazem moradas em minha barriga, 
Com o teu corpo no meu.


Não dê espaço para eu partir
Quero ver você reagindo a toda essa loucura
Que devasta o aglomerado da existência que mora aqui
Dentro de mim.


Tropeça desse lugar que você existe a atuar
Amasse minha alma com o teu amor.


Maicon Vijarva
2018/02/01



VÍNCULO INÉDITO


Nosso olhar está onde estamos?
Tempo que se faz, também se foi
Somos e estamos em outro lugar
É tempo de aprender a voar
sem garantias dos [para]quedas.

Crescer é uma viagem sem volta
Não dá mais para ser memórias 
De outros carnavais, 
Que sejamos luz que ilumina o nosso vazio, 
Girando fundo
Sentindo com tudo
Façamos o melhor com o nosso pior

Ande, vista-se do melhor de si mesmo
Das tuas estórias, dores e amores, 
E venha comigo
Dando passagem ao novo 
Que vem chegando às voltas de nós.

Amor, deixe esses teus planos que 
Não te vestem mais, 
Vamos desatar nossos nós 
Em lanços de um amor para frente
Vamos dar passagem às nossas diferenças
E desenhar o amor que há em/para nós.

Coragem
Amar é um turbilhão de emoções
Que veste a nossa alma com o mais
Intenso 
Das cores.

Maicon Vijarva
2018/01/28

DESATAR EM LAÇOS



Escrever é como pular do alto 
Em queda livre e sentir o frescor 
Que as palavras podem oferecer 
Algo da ordem que possa causar 
Movimento de desejo pelo ar que 
Respira-se.


Escrevo não para aliviar a dor
Porque nada pior que rasgar-se 
Em si mesmo para expor sob o vermelho tinta
Aquilo que em nossa profundeza 
Inquieta e desestabiliza.


Percorro passado, presente e futuro
Sem qualquer lógica, para criar algo
Com todo esse vulcão que me implica 
Convocando meus monstros a contribuir 
Com algo da ordem dualista entre amor e ódio. 
Nessa imensa intensidade, 
Vou me aproximando mais, ainda
Do que seja o amor.


Escrevo para saber-fazer algo 
Com as pulsões que habitam em mim
Penso em minhas dores para dar cores
Penso em mim para não afogar em ilusões
Apostar na vida é dar algo que não se tem ao mundo e a si mesmo.


Amante do amor e do desejo, 
vou desatando nós em mim....
Transformando-os em laços-outros meus. 

Maicon Vijarva
2017/12/25

AMAR-NÃO-TODO-AMAR



Amar impulsionou-me 
A jogar-me sem medo ao 
Precipício do não-todo
Que me constitui.

Amar ensinou-me a querer 
Sempre mais da vida.

Amante fui me tornando
Sujeito desejoso
Com medo de ceder ao gozo
Com medo de ceder ao desejo
Do outro.

Amar descontruiu meus caminhos
Implicando-me a fazer algo novo
Repetidas vezes
Quando acreditava ter chego ao 
Paraiso.

Amar tornar-me sujeito
Vulnerável e ao mesmo tempo
Seguro de estar vivendo 
Intensamente.

Amar constituiu-me 
SER
HUMANO.

2018/01/17

MEU VAZIO VIROU AMOR




Aqui estou a observar 
Quem estou me tornando
Diante da imensidão do 
Ensurdecedor barulho do
Silêncio que faz implicações 
Dentro de mim sem cessar

Dentro desta bolha solta no tempo
Que ouço as falhas e faltas que rasgam
Todo meu corpo e constitui um eu faltoso
Que deseja tanto mais, ainda

Não dá para fugir de mim
Não dá para esquecer quem se é
Querido outro, te dei todo meu nada
Em nome de um amor que sequer 
Existia em mim... 
Amor esse que nasceu da falta 
Do vazio que te entreguei...

O silêncio é angustiante demais
Por dizer tanto à flor da pele
Não há algo que possa 
Calar esse silêncio que insiste 
Em ser ouvido? 

Dê-me olhos para ver
//Suplico// 
Tire-me meus ouvidos para
Que cesse essas implicações

Queima por dentro esse nada
Eu vejo toda verdade crua
Repito cenas do passado-presente 
para desenhar o próximo passo 
Para lidar com todo aquele vazio 
que devolveu transformado em
Algo melhor, muito melhor 
Do que pude imaginar

O silêncio quer que eu o sinta
Ouça seu sussurro que atravessa
Todo meu ser e me convoca 
A amadurecer diante de mim mesmo
Eu vejo tudo de forma tão nua 
Meus olhos sangram 
Já não há como voltar atrás 
O amor me fez vulnerável
E todo meu vazio tornou-se 
Algo a ser pensado...

O silêncio anda me rasgando 
Toda a alma...
E desejo viver tudo de novo
Sorrindo...
O vazio virou amor 
Mas é preciso mais vazio 
Para sustentar tanto amor 
É preciso desejar 
Para poder gozar uma parcela 
De todo esse gosto 
De amar.

Maicon Vijarva
2018/01/08




SER-SUJEITO-SER




Nadando em imaginações
Transito numa eterna tríade
Em que nada é lógico
O tempo brinca comigo...

O passado 
Reporta ao presente
Algo que faz falta 
E insiste na útopia 
Da possibilidade de
Re-viver momentos outros
Em corpos distintos

É quase uma má-audição
Ao ouvir o que se tenta dizer
Mesmo não existindo 
Vocabulário algum 
Que dê conta disso que 
É impossível de 
Nomear.

Mergulho na imensidão
De mim mesmo
E deixo ser levado por
Uma força que me destrói
Corrói e dilacera 
Mas que me transforma 
Em uma versão melhor 
Do que fui

É ensurdecedor 
Sentir que se está sentindo
Muito...
mais, ainda.

Acordo e a vida se repete
Trazendo sempre algo 
Da ordem do novo
Incomum. 

2017/12/24

SER FORTE É



Evitar
Desconforto
Da angústia 
Do medo
Do descontrole

//Ser forte é evitar 
O gosto da vida//

Ser forte é não
Sentir a 
Fragilidade
A vulnerabilidade 

//Ser frágil é estar vulnerável
E sentir o gosto da vida 
até as últimas 
consequências//

Ser vulnerável é
Aprender que 
Nada é possível 
De controlar. 

Maicon Vijarva
2018/01/06

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

TRÍADE DA VIDA


[O passado se envolve 
com o presente na mesma
intensidade que 
o futuro se envolve 
com o passado.]

O presente só é
O caminho para o sujeito
Fazer melhor [ou não] com a 
Forma com que 
Goza sua vida,
Sempre se havendo
Com a responsabilidade
Do passo dado.


Maicon Vijarva
2017/12/19

INSISTÊNCIA EM EXISTIR


As cores estão 
Despontando
Dentro de mim
E numa tentativa
De tentar sobreviver
Nutro uma esperança
Que corajosamente
Me faz subir até
As bordas para respirar
E continuar
Continuar
Continuar
Mas de onde vem essa
Esperança que me
Faz desejar
Existir no mundo?
A felicidade é enquadrinhada
Em moldes surreais
E esses ideais são sufocantes
De ultrapassar
Atravessar.
Corro para dentro de mim
Quando nada de inútil
Posso encontrar lá fora
E parece ser profundo e sem
Borda e forma aqui dentro
Ninguém pode entender
O quão assustador é estar
Em silêncio em si mesmo
E ouvir tantos pensamentos
Que talvez nunca encontre palavras para serem lidos, ouvidos e
DITOS.
Percorro todo meu corpo
Buscando respostas que
Possam me guiar a algum lugar
A algum destino que não seja o
Agora...
[Viver é um oceano de apostas
E as apostas mais altas são quando nada se têm a oferecer senão a si mesmo. E apostar a si mesmo é uma loucura que não é para qualquer humano.
Assusta saber que mesmo que haja multidões ainda se estará sozinho e desejar montanhas e céus e mares e vidaaaaaa é um ato audacioso.
A vida é maravilhosa, porque nós sujeitos faltosos insistimos em fazer algo ser novo, diferente e inesquecível.
As belezas da vida são pintadas por cada um que, as duras peles, faz de um tudo e mais, ainda... para existir.]
2017/12/24

segunda-feira, 20 de março de 2017

O corpo em transformação

A estrada desbota
E já não é mais possível observar
O caminho que se encontra para além
Do horizonte, por detrás da neblina
De um corpo adormecido.

O corpo rasteja e sussurra em movimentos.
Por não poder dizer-se em palavras,
Grita em sons desajustados e solenemente
Espirra estalar de nervos, ossos e alma.

Em seus esforços exaustivos,
O corpo se descobre em si mesmo,
Através de memórias do abismo inconsciente,
Na esperança de libertar-se da
Temporalidade.

19/03/2017

quarta-feira, 15 de março de 2017

A temporalidade do corpo

Brooke Shaden Photography

Em algum momento do tempo, em análise, acabamos nos perdendo do tempo. Talvez, seja por aproximar o corpo do ambiente ao corpo do sujeito que ali se descobre. O relógio antiquadamente misterioso preserva o sujeito do tempo cronológico e dá uma possibilidade outra de existência. Mas há um além, existe o tempo que se observa atentamente cada detalhe que se mostra aos olhos, das formas em que o corpo se posiciona em um ambiente estranho, no entanto de um aspecto quase que comum, não fosse o cheiro e campo peculiar que apresenta.

Um espaço que por alguns minutos torna-se seu, que logo traiçoeiramente vem em mente uma voz que articula ‘mas há outros que usam esse espaço’. A curiosidade se instala em saber quem o são e quais razões o trazem aqui? Em passo acelerado o tempo passa. Não há quase tempo para pensar o que causa e acusa o sabor e dessabor da existência de nós mesmos. Entrar em análise é um sacrifício de renuncia, tempo e paciência.  

Há o desejo de falar, mencionar cada detalhe do que passou e passa em nós e o quanto pesa o fardo. O outro alguém avisa que o tempo esgotou. Ainda perdido e pego de jeito pelo tempo, esbraveja um ‘poxa vida, quase não se falou o que precisava ser dito’. No achismo o sujeito pensa que a análise dura apenas os minutos do espaço em que habita dois corpos. A análise percorre por algum tempo mais, como se pudesse dizer o que não pode ser dito. 

Quando o relógio pinta o tempo final da sessão, existe um espaço alucinado que desenha um suposto corpo do sujeito reflexivo por alguns minutos ou horas a mais após a sessão de análise. O sujeito vai se construindo a partir deste corte do seu tempo na sessão e passa a dar corpo às suas angústias e a pensar a si mesmo. 

A temporalidade do corpo é uma estrutura organizada da causa que traz movimento à existência do sujeito que se escreve, inscreve e descreve antes, durante e depois da análise. 

O tempo esgotou, até a próxima.