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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Carta de amor

Escrevo para esgotar o que me excede, que transborda sem limite. Trata-se de algo que falta vocabulário para expressar o oceano que se move em mim.

A minha voz soa um som embargado de uma tonalidade azul-turquesa de dor, de amor e infinitos outros sentimentos que não consigo descrever, por não haver uma palavra que o caiba.  A intensidade é o que me ocorreu ao ver seu sorriso pela primeira vez.

Eu, que jamais imaginária sofrer tanto por amor, pude ao mesmo tempo ser tão abençoado por ele. Te amar me ensinou que mesmo diante do impossível é possível criar caminhos e plantar imensidão de coisas para colher num futuro-próximo.

Amar você me tornou uma versão melhor-de-mim-mesmo, me trouxe um fôlego de movimento desejante... de buscar inspirações. Te amar foi tão louco, que é impossível caber num texto, num livro ou em qualquer outro meio de linguagem.

O amor que sinto por você me faz voar e desejar mais, ainda! Mesmo que todo esse sentimento traga certa dor por não mais tê-lo perto de mim, faz com que eu aprenda a fazer melhor com esse mesmo amor que me ensinou a respeitá-lo como você é, e que é preciso deixar ir, sem manter em cárcere privado.

Te amar é uma das coisas mais loucas que me aconteceu nos últimos tempos. Amar-te é de uma cor mais intensa que possa existir, de tirar o fôlego e dar esperança de percorrer ainda mais esse caminho do amor. 

Te amar me faz sentir humano, sem controle, sem fim... transbordo.

O amor que sinto por você me faz ver que o melhor de tudo é seguir amando para viver sem ressentimentos que pode cessar o existir.

Te amar é algo inexplicável. 
Te amo.

16/12/2017

segunda-feira, 20 de março de 2017

O corpo em transformação

A estrada desbota
E já não é mais possível observar
O caminho que se encontra para além
Do horizonte, por detrás da neblina
De um corpo adormecido.

O corpo rasteja e sussurra em movimentos.
Por não poder dizer-se em palavras,
Grita em sons desajustados e solenemente
Espirra estalar de nervos, ossos e alma.

Em seus esforços exaustivos,
O corpo se descobre em si mesmo,
Através de memórias do abismo inconsciente,
Na esperança de libertar-se da
Temporalidade.

19/03/2017

quarta-feira, 15 de março de 2017

A temporalidade do corpo

Brooke Shaden Photography

Em algum momento do tempo, em análise, acabamos nos perdendo do tempo. Talvez, seja por aproximar o corpo do ambiente ao corpo do sujeito que ali se descobre. O relógio antiquadamente misterioso preserva o sujeito do tempo cronológico e dá uma possibilidade outra de existência. Mas há um além, existe o tempo que se observa atentamente cada detalhe que se mostra aos olhos, das formas em que o corpo se posiciona em um ambiente estranho, no entanto de um aspecto quase que comum, não fosse o cheiro e campo peculiar que apresenta.

Um espaço que por alguns minutos torna-se seu, que logo traiçoeiramente vem em mente uma voz que articula ‘mas há outros que usam esse espaço’. A curiosidade se instala em saber quem o são e quais razões o trazem aqui? Em passo acelerado o tempo passa. Não há quase tempo para pensar o que causa e acusa o sabor e dessabor da existência de nós mesmos. Entrar em análise é um sacrifício de renuncia, tempo e paciência.  

Há o desejo de falar, mencionar cada detalhe do que passou e passa em nós e o quanto pesa o fardo. O outro alguém avisa que o tempo esgotou. Ainda perdido e pego de jeito pelo tempo, esbraveja um ‘poxa vida, quase não se falou o que precisava ser dito’. No achismo o sujeito pensa que a análise dura apenas os minutos do espaço em que habita dois corpos. A análise percorre por algum tempo mais, como se pudesse dizer o que não pode ser dito. 

Quando o relógio pinta o tempo final da sessão, existe um espaço alucinado que desenha um suposto corpo do sujeito reflexivo por alguns minutos ou horas a mais após a sessão de análise. O sujeito vai se construindo a partir deste corte do seu tempo na sessão e passa a dar corpo às suas angústias e a pensar a si mesmo. 

A temporalidade do corpo é uma estrutura organizada da causa que traz movimento à existência do sujeito que se escreve, inscreve e descreve antes, durante e depois da análise. 

O tempo esgotou, até a próxima.

segunda-feira, 6 de março de 2017

A escrita do sujeito

A ocasião é de tempo em transformar feridas, construir novas possibilidades e oferecer aquela repaginada a si mesmo. Retocar um fiozinho aqui, outro ali. Passar aquela sutileza base para deixar tudo mais bonito ao espelho, conhecer a si mesmo é árduo, mas pode também oferecer um realçar externo sem nenhum problema.

Transformar é um ato de coragem em se desnudar em publico, só com o detalhe que o publico é somente você. De um angustiar pálido horripilante, por correr o risco de se moldurar numa pitoresca imagem distorcida de si mesmo.

Sem dúvida! A transformação é um ato de coragem, de audácia para com si mesmo. Alguns sujeitos escrevem letras, palavras e aproximam tudo e, quando menos percebem, fez-se um poema.

Não significa que tudo seja motivo de poesia. Pensando bem, a vida por si só é poesia. Tudo respira e se faz poesia. Fica difícil não escrever ou recitar poemas e poesias em voz alta para si mesmo, enquanto caminha distraidamente por qualquer lugar que se possa caminhar. Embora seja um tanto perigoso pensar, se deixar em devaneios quando não há segurança externa. Mas isso também é um pensar poético. Ou não?

É inevitável não ser poético quando a poesia se torna algo tão inspirador e talvez até um refúgio em tempos de aguaceiro de emoções. Mas é difícil escrever, não é fácil não. Sempre se busca encontrar a palavra certa a se dizer. Ninguém quer ser eternizado de qualquer jeito, parido as pressas sem gozar um pouquinho da dor do parto em lugar banhado de cheiro suave, prazeroso e suficientemente bom para se nascer.

Assim se dá os poemas, poesia. Mas tem poemas que são perfume, são paridos debaixo de barracas de peixe em praça publica de Paris, Pernambuco, Minas, Bahia, Rio de Janeiro e outros mais. São de um teor poético de chorar as pitangas e ralar os dedos de tanto limpar as lágrimas.

Ao deleitar-se na escrita o sujeito precisa navegar por águas tumultuosas de um intenso infinito abaixo de si mesmo. É...vai lá saber aonde se pode chegar, há quem desista no meio do caminho. Será que existe essa possibilidade? Quem escreve quer parir, não somente a si mesmo, mas um sujeito outro que precisa de ar puro, ar além do seu mundo interno.

Céus, poesia só fala desse tal sujeito de si mesmo? É barbárie com o sujeito que escreve, piedade com quem se descreve, que mesmo se dando chicoteadas, ainda se delicia com o suposto saber que se extrai ao se escrever, descrever.

Desabrocha em lágrimas quem escreve, por tolerar quem grita as palavras, acalmando-o e dando amor em momento de tanto caos. Enquanto a lágrima escorre pelos olhos, se turva em um rio que deságua em palavras, que se tornam poemas e poesias.

Quem escreve morre enquanto tenta transbordar a si mesmo, numa ilusão de liberdade.

Eu só quero agradecer a ti.

Eu quero te agradecer pelos inúmeros toques que me fez sentir,
Eu quero te agradecer pelas inúmeras vezes que me olhou sem titubear,
Dizendo através do som doce e pueril de sua voz o melhor de mim,
Agradeço pela capacidade de olhar devagarinho para mim,
Na intenção de demonstrar a importância de mim em mim, em ti, em nós.

Eu quero te agradecer por respirar próxima a mim,
Aquecendo e trazendo levemente minha realidade aos pés,
Eu quero te agradecer por me fazer tão bem em tempo
Em que tantos já tocaram, olharam e disseram tudo depressa demais.

Eu quero te agradecer por você sentir extrair o mais belo
De quem sou e dizer que o que eu achei que fosse um horror
Também faz parte e torna o belo ainda mais fiel e verdadeiro.

Eu só quero te agradecer por acreditar em mim,
Desculpe eu escrevo demais, era só para expressar o quanto
Você causa em mim.

06/03/2017

Do poema que fiz

Posso lhe dar razões
Por que te quero
Posso até arriscar a compor
Centenas de canções de amor,
Para que fique, se abrigue.
Mas o que te move a ficar
Quando o mundo
Também te oferece
Tudo que eu posso lhe dar?

06/03/2017

domingo, 5 de março de 2017

O limitar do corpo

Não caibo no corpo
Enquanto estou sendo
E quando penso existir,
Muito há para se descobrir
Sobre o sujeito eu, que sou sem perceber.

Não caibo no corpo
Ao ser possuído pelo medo
Que transborda para presa de mim mesmo,
das faltas e sintomas
Que preenche o corpo limite.

Não caibo no corpo
Quando o sujeito que escreve
Está a ser para si mesmo.

Não caibo no corpo
Na busca de encontrar
E reconhecer o sujeito
Que se é.

O sujeito só cabe em corpo,
No entrelaçar da sua vida
Com o outro, que o confirma no real
Junto ao outro,
Não pelo outro.

17/12/2016

A cegueira do sujeito

Você precisa crescer
Não dá mais para manter-se
Nessa mesmice, seja importante.

Você precisa ser adulto,
Não dá mais para continuar agindo
Como criança.
- Mas eu nunca pude ser criança.
- Você sequestrou à infância de mim.
Agora me culpa por ser incapaz de crescer?
Seja responsável, assuma os teus atos.
- Mas quando você será capaz de
se responsabilizar e deixar de me
culpar por ser quem sou,
por mais que ainda seja infantil?
05/03/2017

Para sempre jovem

Olhando no espelho
Observo alguém inexperiente,
Que vive ainda uma puerilidade
De uma extensão de encher os
Olhos de lágrimas de uma emoção
Inominável.

Ao olhar seu reflexo no espelho
Busca referências de um outro
Que não a si mesmo,
Outro que o confirme no real,
Por não enxergar a si mesmo
No retrato refletido no espelho.

Em seus devaneios ainda
Mantém-se jovem, pueril em
Essência, mas de uma pulsão
De morte que persiste ficar
No lugar de nem lá nem cá,
À observar o desequilíbrio
Que o forçará na escolha
De qual lado cair.

05/03/2017

As profundezas

Seus lábios ao tocar
Os meus fazem borbulhar
Um sentir que inunda e
Destrói as barreiras que
Eu construí em longos anos de caminhar.

Suas mãos firmes e delicadas,
Tocam meu corpo com cuidado,
Com desejo e desnuda
Minha fortaleza.

O teu olhar profundo
Fita o meu e diz tanto,
Sem mencionar uma palavra
Sequer.

A tua pele ao encostar
Com a minha me faz transbordar
Em mim mesmo,
Com você eu posso me sentir
E me sentindo,
Posso sentir o que
Somos, e que insiste em
Não se nomear, ainda
Resiste em se libertar.

05/03/2017

Do poema que não deixei você ler

Do morrer e nascer de mim
Desperto à realidade
Num buscar sem fim
De desencontros e encontros
E quando permite a vida,
Reencontros com o outro,
Em mim.

Andar sob à pele
É uma perdição, em que se perde
De si, estando em si mesmo,
À morte toma corpo em meu corpo,
Enquanto esqueço vou me envenenando,
Até o súbito estalo da morte,
Enquanto encontro a palavra por si
Mesma que se escreve em devaneios
À luz do recomeço.

Dois pra lá, dois pra cá
Respingos de um sonhar
Que este sujeito vem sonhar só,
Num corpo outro passado,
À deriva de alma,
De corpo novo a se tornar.

É enlouquecer inesgotável,
Sujeito que sente e ao sentir
Morre no mundo, e goza um gozar
Solitário com si mesmo, e alucina
Um gozar junto ao outro,
Que ao nascer no mundo,
Morre de si.

20/12/2016

O amar expande

O amar se aprende
Com o olhar do outro,
Através do olhar desde outro,
Que faz com que sinta-me
Desejado, querido e cuidado.

Amar se aprende
No contato com o outro,
Num tocar de pele,
Em que se mistura os desabores,
Amores.

Amar se aprende
Aprendendo que o outro
Também é gente como a gente,
Cheio de desejo de ser amado,
Correspondido.

Amar se aprende
E às vezes é preciso se iludir,
Alucinar um amor,
Para não deixar se perder
Até o próximo amor.

Amar se aprende
Na extensão do outro em nós,
E de nós no outro.

Amar se aprende
Saboreando o que seja o
Suposto amar,
Amando.

05/03/2017

sábado, 4 de março de 2017

O ponto de ônibus

Enrolada em coberto curto
Desbotado e um vestido azul
Marinho surrado pelo tempo e
Descuido, sujo das andanças
Sem rumo.

A vejo com olhar triste,
De um brilho vazio e desesperador,
De quem perdeu algo ou alguém,
Mas que já não pode chorar para
Aliviar o seu sofrer que encobre
Sua pele castigada pelos tempos
Difíceis.

Ela dorme ou tenta adormecer,
Talvez para se aliviar do cansaço,
Em que aposto não ser físico,
Mas psicológico, por sentir-se
Abandonada à mercê do que possuía,
Ou imaginava possuir,
Ela se esparrama num espaço estrito
Para acomodar um corpo suspenso
De si mesmo, e agora
Descansa e tenta se proteger do
Vento gelado que a mantém
Viva, sedenta de carinho, aconchego e amor.

04/03/2017

sexta-feira, 3 de março de 2017

Corpo falante

Transbordando em mim todo desejo
Que leva meu corpo junto ao teu,
Deixando-me trêmulo e faltante de mim,
Por desejar ser teu por inteiro, e já não
Posso ser mais meu por agora ser teu,
Do fio do cabelo ao dedão do pé.

Em gesto pueril acendo uma fogueira
De mais belo de ti e queimo-me dos pés
A cabeça na ilusão de sentir sua essência
Marcada em mim, numa gravura pitoresca
De um surrealismo disforme, de tu em mim, de nós.

Mas é tamanha ilusão que me queimo todo, sem sentir nada além do que imaginei de ti, sem poder sentir a tua pele
Queimando a minha de um gozo sem fim,
De um amor ardente e delicado.

Nada passou da imaginação em
Que repetia em telas brancas, tentando
Gravar o que tinha como suposto saber de
Ti em mim, que agora são brasas e cicatrizar que jamais serão desfeitas,
Por ser de uma profundeza humana,
Gentil de mim mesmo.

04/03/2017

A repetição

Partilho ao corpo
Sedento por mais do mesmo,
Faminto por um alimento faltante,
O mesmo rosto moldurado,
Os mesmos gestos e fisionomia,
Do que faz com que tudo
Ainda se faça e constitua-se do mesmo,
A repetição de mim,
Dos supostos amores, paixões,
Ilusões que esse corpo
Insiste em repetir,
Pintar a si mesmo.

03/03/2017

Útero

O parto à luz do sangue
Que escorre enquanto os
Olhos abrem-se ao mundo
Ainda desconhecido e opaco,
Levemente ofuscado de um branco cinzento.
Andaluz percorre seu olhar ainda
Que ofuscado à busca de saber
O lugar em que está e tentar ainda que
Alucinado, entender a razão que o tirou
Do conforto do útero aquecido e cheio
De alimento e segurança.
Andaluz sujeito criança,
Percebe que há vida além do útero,
Mas que o aconchego de um útero
Jamais será possível de ser vivido,
Agora andaluz percorre sua vasta vida
Na busca de tampar o primeiro dos mais vastos rompimentos da sua vida,
O umbigo que o ligava à vida uterina.

 03/03/2017

Travestido corpo marcado

As manias sorrateiras
Em dar sentido ao corpo,
Demarcando-o com marcas,
Simbolizando-o com desenhos
De outros corpos,  sabores
E paixões, amor, ilusão e sonhos.
Travestido em palavras e
Desenhos do suposto sujeito
Que deseja ser, tornar-se.
Travestidamente em poemas,
Poesias e escritos que fogem
À boca que cala-se ao tornar-se
Parte do corpo travestido
E marcado por sintomas,
Que causam movimentos
Incansáveis e desejando mais
Numa frenética repetição
Que ofusca à visão,
Turvando os rios que
Deságua em sujeito
Que deseja ser algo à mais
Do que seu corpo permite ser.

03/03/2017

Não-dito: ESCRITO

O sujeito se descreve no espaço das entre linhas do não dito, escrito.

A musicalidade do que aflige é calorosa à pele,
Ainda que busque sair rasteiramente
Pelos poros sem ser compreendida ao olhar contempla(dor),
Deixando rastro do seu sentir pela pele faminta e sedenta de sentido,
Alimento.

A musicalidade do que sufoca o íntimo ferve
Uma sintonia cheia de significantes inacabados à luz
De um sujeito faltante de si mesmo.

A musicalidade das palavras não-ditas foliam
Festivamente num corpo que transforma e se descompõe em si mesmo,
Rastejante pela escuridão da glória de tolerar a si mesmo.

Sujeito este que se escreve em experiências,
Em temporalidade outra que não esta,
Por ser apenas pó do que um dia foi suposto corpo,
Para então ressuscitar das profundezas de si mesmo

E dar corpo ao significante que outrora era inacabado sem sentido. 

03/03/2017

quinta-feira, 2 de março de 2017

Caminhando com o estranho

Observo o caminhar dos estranhos
E identifico deles algo meu,
Por que o outro tem tanto de nós,
Ou somos nós que temos tanto do outro?
Observo o caminhar destes meus,
Tão meus quanto deles,
Estranho encontro que faço
Quando me (des)encontro no outro.
Eu só quer(o)ia saber
A temporalidade do meu tempo
Nos sintomas que causam movimentos
(In)voluntários em mim,
Que em tempo real
Me encontra/encanta ao outro e também
Me desencontra,
Me descobrindo, em significantes.

02/03/2017

O seio

A dualidade de dois seios,
Em forças opostas,
Tentando ocupar espaço,
No descompasso
Vulcânico e avassalador.

A dualidade de dois seios,
Que impulsiona à ligação
Outrora pelo amor canibal,
Outrora pelo ódio corrosivo.

A escuridão é plena,
Que chega ser guia do
Sujeito restante e necessitado,
Do seios que duelam entre si,
Despreocupados com quem
O deseja, necessita.

O sujeito alucina os seios
Quando o falo é introduzido,
E abarrota a figura de uma
Suposta figura possuidora
Do seios que duelam,
Assumindo um papel
Do falo, do limite, que jamais obterá êxito,
A não ser o da destruição
Do desenvolvimento interno
Do sujeito necessitado,
Por simplesmente não ser capaz e não ter
Para oferecer mais do que obteve.

02/03/2017

Cinza dias

Dias em que tudo é cinza, 
Sem cor, somente a cor 
Escura que ainda há menos 
Obscuridade. 

Dias cinzas convidativo 
Ao incomodo, ao inquietante, 
Estranho.

Dias cinzas que toca 
O mais tocante do íntimo 
Guardado à sete palmos 
De si mesmo. 

Dias cinzas é intrigante,
Solícito à nós, 
Convidando a desnudarmos 
De ideias maquiáveis, 
De sorrisos artificiais, 
De pele intocável, 
De olhos cegos, 
De nós mesmos. 

Borbulha no interior 
Os pássaros que querem à liberdade, 
Mas que  por birra pueril insistimos em
Mantê-los aquietados, alimentando-os, 
Por medo da expansão que eles podem 
Causar à nossa alma amedrontada 
Por faltas, por amores sequestrados, 
Por desamparo, por alimento faltante 
Do seio mau, do que era para ser, 
Mas que por motivos quaisquer, 
Deixavam-nos à mercê do acaso.  

Dias cinzas insistem em 
Fazer com sejamos tocados
Pelos sintomas, 
Por aquilo que causa, 
Por nós mesmos. 

02/03/2017

Goteja(dor) de sintomas

Palavras mal-ditas
Que estão engasgadas...
Buscando sair por algum lugar,
Que borbulha e arde como lavas
De um vulcão adormecido.
Sujeito faltante,
Acumulador de palavras,
Do som que evita ouvir,
Que evita sentir o toque.
A palavra persiste em toca-lo
E mata o suposto ser que fora dia desses,
Quando as liberta,
A palavra maltrata seu corpo,
Quando não-ditas.
O não-dito é causador de sintomas,
mas é difícil ao sujeito
Nomear a palavra que represente
à dor que sente,
E que traz certo desconforto e prazer.
É tão dele quanto de
Qualquer outra parte
Que molda seu corpo significado,
a palavra é deixar ir o que o causa,
É trazer significante ao corpo
Que deseja falar sem nomear,
Sem ser nomeado.
02/03/2017

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Grades

As grades aqui fora também 
Sufocam os corações amarrotados
De etiqueta.
As grades aqui fora também
Embelezam pessoas vazias
De si mesmas.
As grades aqui fora
Também impedem que a arte
Do sujeito se expresse, formando corpo.
As grandes aqui fora também
São repressoras.


17/02/2017

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Sujeito

Sujeito
É inconsciente cheio de arte pitoresca, 
É corpo que atua 
Na pro-cura de tonar-se SER.
Resistir e persistir no tempo

Através do imaginário.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Tocante corpo

tocando-te,
estou a tentativa 
de me tocar, 
assim nos tocamos
também, 
num só tom,
numa só sintonia.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

All we do

       
Tudo que fazemos é julgar
Tudo que fazemos é culpar
Tudo que fazemos é nos esconder
Tudo que fazemos é perseguir o diferente
Tudo que fazemos é invejar
Tudo que fazemos é morto
Estamos perdidos, num paraíso perfeito...
Na terra.
Tudo que fazemos é odiar
Tudo que fazemos é por ganância
Tudo que queremos é ser vistos,
Tudo que queremos é ser amado a todo custo,
Sem amar.
Tudo que queremos é ter vantagens,
Somos desiguais...
Não consigo encontrar o paraíso na terra,
Mas não quero voltar...
Voltar de onde vim...
De onde viemos?
Canto uma canção sem nome,
Sem som.
Choro sem sequer derrubar uma lágrima...
Grito mas não há ouvidos que ouçam...
Tudo que queremos é a eternidade...
Tudo que queremos é ser feliz,
E colocamos tudo em jogo,
Até a nossa própria vida em jogo.
Tudo que queremos é jogar sujo,
Tudo que queremos é matar,
Tudo que queremos é deixar quem amamos,
Tudo que queremos é conquistar o mundo,
Tudo que queremos é que as pessoas deixem de se perceber
Para nos perceber, invejar, querer, desejar....
Tudo que queremos é negar
O monstro que somos,
A beleza que há em nós,
O quanto queremos o que é do outro..
Tudo que queremos É SENTIR
Tudo que queremos É SENTIR
Tudo que queremos É TER FÉ
Tudo que queremos É MENTIR
Tudo que queremos É ESPERAR
Tudo que queremos É SER
HUMANO.

04/01/2017