Do morrer e nascer de mim
Desperto à realidade
Num buscar sem fim
De desencontros e encontros
E quando permite a vida,
Reencontros com o outro,
Em mim.
Andar sob à pele
É uma perdição, em que se perde
De si, estando em si mesmo,
À morte toma corpo em meu corpo,
Enquanto esqueço vou me envenenando,
Até o súbito estalo da morte,
Enquanto encontro a palavra por si
Mesma que se escreve em devaneios
À luz do recomeço.
Dois pra lá, dois pra cá
Respingos de um sonhar
Que este sujeito vem sonhar só,
Num corpo outro passado,
À deriva de alma,
De corpo novo a se tornar.
É enlouquecer inesgotável,
Sujeito que sente e ao sentir
Morre no mundo, e goza um gozar
Solitário com si mesmo, e alucina
Um gozar junto ao outro,
Que ao nascer no mundo,
Morre de si.
20/12/2016
Esse título é de um humor tão doce, tão suave, tão carinhoso...
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