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sexta-feira, 3 de março de 2017

Corpo falante

Transbordando em mim todo desejo
Que leva meu corpo junto ao teu,
Deixando-me trêmulo e faltante de mim,
Por desejar ser teu por inteiro, e já não
Posso ser mais meu por agora ser teu,
Do fio do cabelo ao dedão do pé.

Em gesto pueril acendo uma fogueira
De mais belo de ti e queimo-me dos pés
A cabeça na ilusão de sentir sua essência
Marcada em mim, numa gravura pitoresca
De um surrealismo disforme, de tu em mim, de nós.

Mas é tamanha ilusão que me queimo todo, sem sentir nada além do que imaginei de ti, sem poder sentir a tua pele
Queimando a minha de um gozo sem fim,
De um amor ardente e delicado.

Nada passou da imaginação em
Que repetia em telas brancas, tentando
Gravar o que tinha como suposto saber de
Ti em mim, que agora são brasas e cicatrizar que jamais serão desfeitas,
Por ser de uma profundeza humana,
Gentil de mim mesmo.

04/03/2017

Um comentário:

  1. E esse poema que eu não conhecia? Que vim desvendá-lo hoje, agora, nesse momento? Esse poema que se enche de significados que eu invento. Esse poema que quer me pertencer, mas que pertence a si mesmo.

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