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segunda-feira, 6 de março de 2017

A escrita do sujeito

A ocasião é de tempo em transformar feridas, construir novas possibilidades e oferecer aquela repaginada a si mesmo. Retocar um fiozinho aqui, outro ali. Passar aquela sutileza base para deixar tudo mais bonito ao espelho, conhecer a si mesmo é árduo, mas pode também oferecer um realçar externo sem nenhum problema.

Transformar é um ato de coragem em se desnudar em publico, só com o detalhe que o publico é somente você. De um angustiar pálido horripilante, por correr o risco de se moldurar numa pitoresca imagem distorcida de si mesmo.

Sem dúvida! A transformação é um ato de coragem, de audácia para com si mesmo. Alguns sujeitos escrevem letras, palavras e aproximam tudo e, quando menos percebem, fez-se um poema.

Não significa que tudo seja motivo de poesia. Pensando bem, a vida por si só é poesia. Tudo respira e se faz poesia. Fica difícil não escrever ou recitar poemas e poesias em voz alta para si mesmo, enquanto caminha distraidamente por qualquer lugar que se possa caminhar. Embora seja um tanto perigoso pensar, se deixar em devaneios quando não há segurança externa. Mas isso também é um pensar poético. Ou não?

É inevitável não ser poético quando a poesia se torna algo tão inspirador e talvez até um refúgio em tempos de aguaceiro de emoções. Mas é difícil escrever, não é fácil não. Sempre se busca encontrar a palavra certa a se dizer. Ninguém quer ser eternizado de qualquer jeito, parido as pressas sem gozar um pouquinho da dor do parto em lugar banhado de cheiro suave, prazeroso e suficientemente bom para se nascer.

Assim se dá os poemas, poesia. Mas tem poemas que são perfume, são paridos debaixo de barracas de peixe em praça publica de Paris, Pernambuco, Minas, Bahia, Rio de Janeiro e outros mais. São de um teor poético de chorar as pitangas e ralar os dedos de tanto limpar as lágrimas.

Ao deleitar-se na escrita o sujeito precisa navegar por águas tumultuosas de um intenso infinito abaixo de si mesmo. É...vai lá saber aonde se pode chegar, há quem desista no meio do caminho. Será que existe essa possibilidade? Quem escreve quer parir, não somente a si mesmo, mas um sujeito outro que precisa de ar puro, ar além do seu mundo interno.

Céus, poesia só fala desse tal sujeito de si mesmo? É barbárie com o sujeito que escreve, piedade com quem se descreve, que mesmo se dando chicoteadas, ainda se delicia com o suposto saber que se extrai ao se escrever, descrever.

Desabrocha em lágrimas quem escreve, por tolerar quem grita as palavras, acalmando-o e dando amor em momento de tanto caos. Enquanto a lágrima escorre pelos olhos, se turva em um rio que deságua em palavras, que se tornam poemas e poesias.

Quem escreve morre enquanto tenta transbordar a si mesmo, numa ilusão de liberdade.

Um comentário:

  1. Texto de escrita clara, poética e profunda! Parece que nunca tão bem falou sobre o ato de escrever de maneira muito bem articulada.

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