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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

MEU VAZIO VIROU AMOR




Aqui estou a observar 
Quem estou me tornando
Diante da imensidão do 
Ensurdecedor barulho do
Silêncio que faz implicações 
Dentro de mim sem cessar

Dentro desta bolha solta no tempo
Que ouço as falhas e faltas que rasgam
Todo meu corpo e constitui um eu faltoso
Que deseja tanto mais, ainda

Não dá para fugir de mim
Não dá para esquecer quem se é
Querido outro, te dei todo meu nada
Em nome de um amor que sequer 
Existia em mim... 
Amor esse que nasceu da falta 
Do vazio que te entreguei...

O silêncio é angustiante demais
Por dizer tanto à flor da pele
Não há algo que possa 
Calar esse silêncio que insiste 
Em ser ouvido? 

Dê-me olhos para ver
//Suplico// 
Tire-me meus ouvidos para
Que cesse essas implicações

Queima por dentro esse nada
Eu vejo toda verdade crua
Repito cenas do passado-presente 
para desenhar o próximo passo 
Para lidar com todo aquele vazio 
que devolveu transformado em
Algo melhor, muito melhor 
Do que pude imaginar

O silêncio quer que eu o sinta
Ouça seu sussurro que atravessa
Todo meu ser e me convoca 
A amadurecer diante de mim mesmo
Eu vejo tudo de forma tão nua 
Meus olhos sangram 
Já não há como voltar atrás 
O amor me fez vulnerável
E todo meu vazio tornou-se 
Algo a ser pensado...

O silêncio anda me rasgando 
Toda a alma...
E desejo viver tudo de novo
Sorrindo...
O vazio virou amor 
Mas é preciso mais vazio 
Para sustentar tanto amor 
É preciso desejar 
Para poder gozar uma parcela 
De todo esse gosto 
De amar.

Maicon Vijarva
2018/01/08




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