Aqui estou a observar
Quem estou me tornando
Diante da imensidão do
Ensurdecedor barulho do
Silêncio que faz implicações
Dentro de mim sem cessar
Dentro desta bolha solta no tempo
Que ouço as falhas e faltas que rasgam
Todo meu corpo e constitui um eu faltoso
Que deseja tanto mais, ainda
Não dá para fugir de mim
Não dá para esquecer quem se é
Querido outro, te dei todo meu nada
Em nome de um amor que sequer
Existia em mim...
Amor esse que nasceu da falta
Do vazio que te entreguei...
O silêncio é angustiante demais
Por dizer tanto à flor da pele
Não há algo que possa
Calar esse silêncio que insiste
Em ser ouvido?
Dê-me olhos para ver
//Suplico//
Tire-me meus ouvidos para
Que cesse essas implicações
Queima por dentro esse nada
Eu vejo toda verdade crua
Repito cenas do passado-presente
para desenhar o próximo passo
Para lidar com todo aquele vazio
que devolveu transformado em
Algo melhor, muito melhor
Do que pude imaginar
O silêncio quer que eu o sinta
Ouça seu sussurro que atravessa
Todo meu ser e me convoca
A amadurecer diante de mim mesmo
Eu vejo tudo de forma tão nua
Meus olhos sangram
Já não há como voltar atrás
O amor me fez vulnerável
E todo meu vazio tornou-se
Algo a ser pensado...
O silêncio anda me rasgando
Toda a alma...
E desejo viver tudo de novo
Sorrindo...
O vazio virou amor
Mas é preciso mais vazio
Para sustentar tanto amor
É preciso desejar
Para poder gozar uma parcela
De todo esse gosto
De amar.
Maicon Vijarva
2018/01/08

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