Anestesiado,
Fico marginalizado em utopias.
Corpo que transborda do copo, entre os dedos magros.
Anestesiado,
Planeio amores,
Em forma distorcida e psicodélica,
Diluídos
Na primeira dose do outro,
No atrito
Reflexo do narciso.
Entre a pressão do céu e do árduo calor da terra,
Enlouqueço com a colisão da língua com os dentes,
Alocução ruída.
Anestesiado,
Decomponho,
Em corpo assintomático,
Sem deleitar-se da delícia e da expiação de amar, de ser amado.
Anestesiado,
Transformo-me em ossos manchados,
Sedentos por preencher o vazio da hipocrisia.
Anestesiado,
Grito por cores,
Arco-íris.
Grito pela luz do dia,
Amanhecer.
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