Página inicial

sábado, 20 de agosto de 2016

Sobre amor e ódio: coragem

Tu perguntas se deves, 
Digo, o que te impede?

Dava-se ao amor como dava-se ao ódio, 
Estimo não ser inverossímil nada do que dizem
a respeito do amor e ódio.

Amar e ódio são como lanterna mágica, 
alimentam os fantasmas da nossa alma, 
os dando cor.

Dizem que amar é para os fortes, 
mas temo tal especulação.

Os grandes escritores que falam sobre amor, 
são frágeis, mas corajosos.

O que motiva o amor, não é a força, 
mas a coragem de se despir, 
desabitar, permitir-se ser habitat do novo,
do Outro.

Já disse Goethe:
O que seria o mundo para nosso coração,
sem amor? 
O mesmo que uma lanterna mágica, 
sem luz,
Efêmero!

Não seja medíocre com o seu amor, 
Invista tudo, mergulhe.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Demasiado Humano Agridoce

Agridoce são palavras,
Bisturis diante do mundo.

Repetidos olhares
Perdidos
De desejo narcísico.

No berço expendido,
Da amargura dissolúvel.

Árduo
Reflexos no espelho,
Ratifica inocência,
Crime e castigo,
Amor e
Ódio,
Medo.

Agridoce
Prazeres,
Sufocante
Pecado que tira o fôlego,
Traz vida,
Decadência.

Humano,
Carne e osso.
Selvagem,
Amável,
Narciso.

Agridoce!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Co(r)po que transborda

Anestesiado,
Fico marginalizado em utopias.
Corpo que transborda do copo, entre os dedos magros.

Anestesiado,
Planeio amores,                                                            
Em forma distorcida e psicodélica,
Diluídos
Na primeira dose do outro,
No atrito
Reflexo do narciso.  
Entre a pressão do céu e do árduo calor da terra,
Enlouqueço com a colisão da língua com os dentes,
Alocução ruída.

Anestesiado,
Decomponho,
Em corpo assintomático,
Sem deleitar-se da delícia e da expiação de amar, de ser amado.

Anestesiado,
Transformo-me em ossos manchados,
Sedentos por preencher o vazio da hipocrisia.

Anestesiado,
Grito por cores,
Arco-íris.
Grito pela luz do dia,
Amanhecer.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Tu-Outro: Eu

Tu-Outro, que moldas a personalidade.
Tu-Outro, que harmoniza a euforia.
Tu-Outro, que modifica a cada novo contato.
Não sejamos mais Breezeblocks!

Tu-eu, que inspira: choca a audácia.
Tu-eu, que amedronta a imaginação: inspira.
Tu-eu, que encoraja a lutar e  preservar: evoluir.
Não sejamos mais Breezeblocks!

Loucura-egoíca, que destrói os laços de comunicação espontâneos.
Loucura-egoíca, que luta em proteger o ego-ferido.
Loucura-egoíca, que é tão inocente e frágil.
Não sejamos mais Breezeblocks!

Eu ideal,
Please don't go
Ideal de Eu, I love you so!

domingo, 29 de junho de 2014

O objeto evidenciado, desejo massacrado: Obsessão

Caminhando em sua direção inconscientemente,
Sem saber ao certo por qual razão me aproximo cada vez mais de você.
Você está tão distante, mas minha pele ainda sente o árduo sabor do nosso suor.
Quando vejo de longe, eu fico trêmulo, chega a me faltar ar.
Será que alguém percebe toda essa euforia em minha alma?

Bem é sabido, não há nada mais a ser dito,
Mas há tantas coisas que parecem necessárias a se dizer.
Tantos passos que ainda precisam ser dados em nossa história, é duro viver em reticências.
Sei também que é uma explosão corrosiva, mas meu Eu-Teu ainda precisa de um pouco mais de você.

Ao caminhar em meio à multidão vejo o quanto perdemos andando em direções contrarias,
Buscando algo que estava tão visível, tão nosso.
Quantas bebidas consumidas pra desvanecer nossa aparência da minha mente, da sua.
Quantos cigarros pela metade foram gastos.
Não houve lagrimas, não há necessidade para o choro, o aperto do coração não deixam as lágrimas saírem. 

Sempre seremos a pessoa certa para nós, mas que hoje fica na lembrança.
Lembranças que são fetiches em outros corpos, suores e amores.
Amores, esses que são somas de nós.

Você e Eu, nos deixamos em uma rua sem saída,
Onde as pessoas vão continuar sendo as mesmas,
Como pílulas antidepressivas, para que seja possível nos manter vivos.

Mas nós não seremos mais a mesma pessoa.
Pra que tantos desencontros, entre nós?
Seu sorriso, seus lábios ainda me inspiram à felicidade.
É tudo muito complexo, porque a partir daqui seremos como estranhos para nós,
Nos procurando em outros corpos, em outras paixões, em outros lábios, vícios.


Vamos, continuaremos gastando nosso tempo, nos odiando, 
Nos abandonando cada dia mais, até nos aniquilarmos 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O seio somatizado


Desde os primórdios do nascimento,
Somos forçados a largar o cordão umbilical,
Forjados a viver, a sentir, a planejar, a experimentar por si mesmo.

A essência do amor e da paixão é única, sempre será o seio,
Esse que alimenta e sacia os desejos, a fome – que vicia.
Em uma busca frenética por amores,
Escolhem-se parceiros(as) com características e essências maternais,
E, às vezes, paternais.

Ô vida, que alimenta desejos primitivos, inconscientes.
Dores, que antecede ao sentimento presente...
Sombras que aterrorizam a essência do que poderia ser,
Mas morre antes de nascer.

Sombras que matam o Self-Verdadeiro que sofre para existir, sobreviver.
Ego que se despedaça e se reconstrói até enlouquecer,
Até perder suas rédeas para um Id pulsante, primitivo.
SuperEgo que vive a se culpar, por seu fracasso com o Ego.
Vida, que insiste em dar oportunidades,

Mesmo após a loucura instalada e somatizada.

domingo, 30 de março de 2014

Dias de Cinza-Marinho

Dias de Cinza-Marinho são frios e mais bonitos,
É momento em que se pode olhar no olho,
Acariciar sem medo, e cobrir-te dos lenções amassados.

Dias de Cinza-Marinho são diamantes na mão do pobre,
Sombra que pulsa por vida, reconhecimento.
Somos tão parecidos e tão distantes,
Como as pétalas de uma rosa e suas raízes.

Dias de Cinza-Marinho é poço de sentimentos,
Que são afogados em uma xícara de café e alguns cigarros,
Pela manhã. E a fuça que sobe é a esperança emitida aos deOses.

Dias de Cinza-Marinho são reservados aos pensamentos, à loucura.
Momentos de algumas ou várias doses de lembranças e recordações,
É o tempo para pensar-se em si e no outro eu, seu.

Dias de Cinza-Marinho causa amor, amor traz vida e experiência.
A experiência causa dor.

Dias de Cinza-Marinho são meus, tanto quanto são seus.
é nosso Cinza-Marinho.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Feridas abertas

Ninguém soube como começou,
Ninguém soube como terminou,
Ninguém viu para qual lado foram,
Ninguém quis dizer nenhuma palavra,
Ninguém quis ouvir um ao outro,
Ninguém se quer olhou para trás.

Ninguém quis pensar sobre o problema,
Ninguém quis sentir a dor de estar suspenso,
Ninguém quis ser de algodão de si mesmo,
Ou do outro.

Ninguém quis derramar uma lágrima,
Ninguém quis se despedir.
Ninguém limpou as feridas,
Então, ambos ficaram com suas feridas abertas,
Caminhando em busca de cuidados, afeto.

Em busca de um algodão que enxuguem suas lágrimas,
Que conforte o seu coração.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Eu vejo em seus olhos

Eu vejo em seus olhos
Que o que você fala não é sério.
Eu vejo em seus olhos
O quão é efêmero seus contos.
Eu vejo em seus olhos
Que há apenas desejo.
Eu vejo em seus olhos
Insegurança, medo e mistério.
Eu vejo em seus olhos
O reflexo do que machuca,
Mas que te excita.
Eu vejo em seus olhos
Traços humanos.
Eu vejo em seus olhos
Fome de amor,
Sede de toque.
Eu vejo em seus olhos
Traços nossos.

domingo, 2 de março de 2014

Tu não te moves de ti

Tu não te moves de ti
Por medo de despir sua alma.
Tu se moves de ti,
Apenas nas tuas emoções,
Tu não consegues sentir o outro senão tu,
Tu sentes em ti, algo que possa ser o outro,
Algo semelhante a ti,
Que disfarçadamente seja análogo ao outro.
Tu não te moves de ti
Nem para o gozo do amor,
Tu não te moves de ti
Nem para se amar, dirá amar alguém.
Tu jamais te moves de ti,
Tu és incapaz de sair de ti.
Tu tens medo de ti