As manias sorrateiras
Em dar sentido ao corpo,
Demarcando-o com marcas,
Simbolizando-o com desenhos
De outros corpos, sabores
E paixões, amor, ilusão e sonhos.
Travestido em palavras e
Desenhos do suposto sujeito
Que deseja ser, tornar-se.
Travestidamente em poemas,
Poesias e escritos que fogem
À boca que cala-se ao tornar-se
Parte do corpo travestido
E marcado por sintomas,
Que causam movimentos
Incansáveis e desejando mais
Numa frenética repetição
Que ofusca à visão,
Turvando os rios que
Deságua em sujeito
Que deseja ser algo à mais
Do que seu corpo permite ser.
03/03/2017
sexta-feira, 3 de março de 2017
Não-dito: ESCRITO
O sujeito se descreve no espaço das entre linhas do não
dito, escrito.
A musicalidade
do que aflige é calorosa à pele,
Ainda que busque
sair rasteiramente
Pelos poros sem
ser compreendida ao olhar contempla(dor),
Deixando
rastro do seu sentir pela pele faminta e sedenta de sentido,
Alimento.
A
musicalidade do que sufoca o íntimo ferve
Uma sintonia
cheia de significantes inacabados à luz
De um sujeito
faltante de si mesmo.
A
musicalidade das palavras não-ditas foliam
Festivamente
num corpo que transforma e se descompõe em si mesmo,
Rastejante pela
escuridão da glória de tolerar a si mesmo.
Sujeito este
que se escreve em experiências,
Em temporalidade
outra que não esta,
Por ser apenas
pó do que um dia foi suposto corpo,
Para então ressuscitar
das profundezas de si mesmo
E dar corpo
ao significante que outrora era inacabado sem sentido.
03/03/2017
quinta-feira, 2 de março de 2017
Caminhando com o estranho
Observo o caminhar dos estranhos
E identifico deles algo meu,
Por que o outro tem tanto de nós,
Ou somos nós que temos tanto do outro?
Observo o caminhar destes meus,
Tão meus quanto deles,
Estranho encontro que faço
Quando me (des)encontro no outro.
Eu só quer(o)ia saber
A temporalidade do meu tempo
Nos sintomas que causam movimentos
(In)voluntários em mim,
Que em tempo real
Me encontra/encanta ao outro e também
Me desencontra,
Me descobrindo, em significantes.
02/03/2017
E identifico deles algo meu,
Por que o outro tem tanto de nós,
Ou somos nós que temos tanto do outro?
Observo o caminhar destes meus,
Tão meus quanto deles,
Estranho encontro que faço
Quando me (des)encontro no outro.
Eu só quer(o)ia saber
A temporalidade do meu tempo
Nos sintomas que causam movimentos
(In)voluntários em mim,
Que em tempo real
Me encontra/encanta ao outro e também
Me desencontra,
Me descobrindo, em significantes.
02/03/2017
O seio
A dualidade de dois seios,
Em forças opostas,
Tentando ocupar espaço,
No descompasso
Vulcânico e avassalador.
A dualidade de dois seios,
Que impulsiona à ligação
Outrora pelo amor canibal,
Outrora pelo ódio corrosivo.
A escuridão é plena,
Que chega ser guia do
Sujeito restante e necessitado,
Do seios que duelam entre si,
Despreocupados com quem
O deseja, necessita.
O sujeito alucina os seios
Quando o falo é introduzido,
E abarrota a figura de uma
Suposta figura possuidora
Do seios que duelam,
Assumindo um papel
Do falo, do limite, que jamais obterá êxito,
A não ser o da destruição
Do desenvolvimento interno
Do sujeito necessitado,
Por simplesmente não ser capaz e não ter
Para oferecer mais do que obteve.
Em forças opostas,
Tentando ocupar espaço,
No descompasso
Vulcânico e avassalador.
A dualidade de dois seios,
Que impulsiona à ligação
Outrora pelo amor canibal,
Outrora pelo ódio corrosivo.
A escuridão é plena,
Que chega ser guia do
Sujeito restante e necessitado,
Do seios que duelam entre si,
Despreocupados com quem
O deseja, necessita.
O sujeito alucina os seios
Quando o falo é introduzido,
E abarrota a figura de uma
Suposta figura possuidora
Do seios que duelam,
Assumindo um papel
Do falo, do limite, que jamais obterá êxito,
A não ser o da destruição
Do desenvolvimento interno
Do sujeito necessitado,
Por simplesmente não ser capaz e não ter
Para oferecer mais do que obteve.
02/03/2017
Cinza dias
Dias em que tudo é cinza,
Sem cor, somente a cor
Escura que ainda há menos
Obscuridade.
Dias cinzas convidativo
Ao incomodo, ao inquietante,
Estranho.
Dias cinzas que toca
O mais tocante do íntimo
Guardado à sete palmos
De si mesmo.
Dias cinzas é intrigante,
Solícito à nós,
Convidando a desnudarmos
De ideias maquiáveis,
De sorrisos artificiais,
De pele intocável,
De olhos cegos,
De nós mesmos.
Borbulha no interior
Os pássaros que querem à liberdade,
Mas que por birra pueril insistimos em
Mantê-los aquietados, alimentando-os,
Por medo da expansão que eles podem
Causar à nossa alma amedrontada
Por faltas, por amores sequestrados,
Por desamparo, por alimento faltante
Do seio mau, do que era para ser,
Mas que por motivos quaisquer,
Deixavam-nos à mercê do acaso.
Dias cinzas insistem em
Fazer com sejamos tocados
Pelos sintomas,
Por aquilo que causa,
Por nós mesmos.
02/03/2017
Goteja(dor) de sintomas
Palavras mal-ditas
Que estão engasgadas...
Buscando sair por algum lugar,
Que borbulha e arde como lavas
De um vulcão adormecido.
Que estão engasgadas...
Buscando sair por algum lugar,
Que borbulha e arde como lavas
De um vulcão adormecido.
Sujeito faltante,
Acumulador de palavras,
Do som que evita ouvir,
Que evita sentir o toque.
Acumulador de palavras,
Do som que evita ouvir,
Que evita sentir o toque.
A palavra persiste em toca-lo
E mata o suposto ser que fora dia desses,
Quando as liberta,
A palavra maltrata seu corpo,
Quando não-ditas.
E mata o suposto ser que fora dia desses,
Quando as liberta,
A palavra maltrata seu corpo,
Quando não-ditas.
O não-dito é causador de sintomas,
mas é difícil ao sujeito
Nomear a palavra que represente
à dor que sente,
E que traz certo desconforto e prazer.
mas é difícil ao sujeito
Nomear a palavra que represente
à dor que sente,
E que traz certo desconforto e prazer.
É tão dele quanto de
Qualquer outra parte
Que molda seu corpo significado,
a palavra é deixar ir o que o causa,
É trazer significante ao corpo
Que deseja falar sem nomear,
Sem ser nomeado.
Qualquer outra parte
Que molda seu corpo significado,
a palavra é deixar ir o que o causa,
É trazer significante ao corpo
Que deseja falar sem nomear,
Sem ser nomeado.
02/03/2017
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Grades
As grades aqui fora também
Sufocam os corações amarrotados
De etiqueta.
As grades aqui fora também
Embelezam pessoas vazias
De si mesmas.
As grades aqui fora
Também impedem que a arte
Do sujeito se expresse, formando corpo.
As grandes aqui fora também
São repressoras.
17/02/2017
Sufocam os corações amarrotados
De etiqueta.
As grades aqui fora também
Embelezam pessoas vazias
De si mesmas.
As grades aqui fora
Também impedem que a arte
Do sujeito se expresse, formando corpo.
As grandes aqui fora também
São repressoras.
17/02/2017
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
Sujeito
Sujeito
É inconsciente cheio de arte pitoresca,
É corpo que atua
Na pro-cura de tonar-se SER.
Resistir e persistir no tempo
Através do imaginário.
É inconsciente cheio de arte pitoresca,
É corpo que atua
Na pro-cura de tonar-se SER.
Resistir e persistir no tempo
Através do imaginário.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
Tocante corpo
tocando-te,
estou a tentativa
de me tocar,
assim nos tocamos
também,
num só tom,
numa só sintonia.
estou a tentativa
de me tocar,
assim nos tocamos
também,
num só tom,
numa só sintonia.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
All we do
Tudo que fazemos é julgar
Tudo que fazemos é culpar
Tudo que fazemos é nos esconder
Tudo que fazemos é perseguir o diferente
Tudo que fazemos é invejar
Tudo que fazemos é morto
Estamos perdidos, num paraíso perfeito...
Na terra.
Tudo que fazemos é odiar
Tudo que fazemos é por ganância
Tudo que queremos é ser vistos,
Tudo que queremos é ser amado a todo custo,
Sem amar.
Tudo que queremos é ter vantagens,
Somos desiguais...
Não consigo encontrar o paraíso na terra,
Mas não quero voltar...
Voltar de onde vim...
De onde viemos?
Canto uma canção sem nome,
Sem som.
Choro sem sequer derrubar uma lágrima...
Grito mas não há ouvidos que ouçam...
Tudo que queremos é a eternidade...
Tudo que queremos é ser feliz,
E colocamos tudo em jogo,
Até a nossa própria vida em jogo.
Tudo que queremos é jogar sujo,
Tudo que queremos é matar,
Tudo que queremos é deixar quem amamos,
Tudo que queremos é conquistar o mundo,
Tudo que queremos é que as pessoas deixem de se perceber
Para nos perceber, invejar, querer, desejar....
Tudo que queremos é negar
O monstro que somos,
A beleza que há em nós,
O quanto queremos o que é do outro..
Tudo que queremos É SENTIR
Tudo que queremos É SENTIR
Tudo que queremos É TER FÉ
Tudo que queremos É MENTIR
Tudo que queremos É ESPERAR
Tudo que queremos É SER
HUMANO.
04/01/2017
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