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sexta-feira, 3 de março de 2017

Útero

O parto à luz do sangue
Que escorre enquanto os
Olhos abrem-se ao mundo
Ainda desconhecido e opaco,
Levemente ofuscado de um branco cinzento.
Andaluz percorre seu olhar ainda
Que ofuscado à busca de saber
O lugar em que está e tentar ainda que
Alucinado, entender a razão que o tirou
Do conforto do útero aquecido e cheio
De alimento e segurança.
Andaluz sujeito criança,
Percebe que há vida além do útero,
Mas que o aconchego de um útero
Jamais será possível de ser vivido,
Agora andaluz percorre sua vasta vida
Na busca de tampar o primeiro dos mais vastos rompimentos da sua vida,
O umbigo que o ligava à vida uterina.

 03/03/2017

Travestido corpo marcado

As manias sorrateiras
Em dar sentido ao corpo,
Demarcando-o com marcas,
Simbolizando-o com desenhos
De outros corpos,  sabores
E paixões, amor, ilusão e sonhos.
Travestido em palavras e
Desenhos do suposto sujeito
Que deseja ser, tornar-se.
Travestidamente em poemas,
Poesias e escritos que fogem
À boca que cala-se ao tornar-se
Parte do corpo travestido
E marcado por sintomas,
Que causam movimentos
Incansáveis e desejando mais
Numa frenética repetição
Que ofusca à visão,
Turvando os rios que
Deságua em sujeito
Que deseja ser algo à mais
Do que seu corpo permite ser.

03/03/2017

Não-dito: ESCRITO

O sujeito se descreve no espaço das entre linhas do não dito, escrito.

A musicalidade do que aflige é calorosa à pele,
Ainda que busque sair rasteiramente
Pelos poros sem ser compreendida ao olhar contempla(dor),
Deixando rastro do seu sentir pela pele faminta e sedenta de sentido,
Alimento.

A musicalidade do que sufoca o íntimo ferve
Uma sintonia cheia de significantes inacabados à luz
De um sujeito faltante de si mesmo.

A musicalidade das palavras não-ditas foliam
Festivamente num corpo que transforma e se descompõe em si mesmo,
Rastejante pela escuridão da glória de tolerar a si mesmo.

Sujeito este que se escreve em experiências,
Em temporalidade outra que não esta,
Por ser apenas pó do que um dia foi suposto corpo,
Para então ressuscitar das profundezas de si mesmo

E dar corpo ao significante que outrora era inacabado sem sentido. 

03/03/2017

quinta-feira, 2 de março de 2017

Caminhando com o estranho

Observo o caminhar dos estranhos
E identifico deles algo meu,
Por que o outro tem tanto de nós,
Ou somos nós que temos tanto do outro?
Observo o caminhar destes meus,
Tão meus quanto deles,
Estranho encontro que faço
Quando me (des)encontro no outro.
Eu só quer(o)ia saber
A temporalidade do meu tempo
Nos sintomas que causam movimentos
(In)voluntários em mim,
Que em tempo real
Me encontra/encanta ao outro e também
Me desencontra,
Me descobrindo, em significantes.

02/03/2017

O seio

A dualidade de dois seios,
Em forças opostas,
Tentando ocupar espaço,
No descompasso
Vulcânico e avassalador.

A dualidade de dois seios,
Que impulsiona à ligação
Outrora pelo amor canibal,
Outrora pelo ódio corrosivo.

A escuridão é plena,
Que chega ser guia do
Sujeito restante e necessitado,
Do seios que duelam entre si,
Despreocupados com quem
O deseja, necessita.

O sujeito alucina os seios
Quando o falo é introduzido,
E abarrota a figura de uma
Suposta figura possuidora
Do seios que duelam,
Assumindo um papel
Do falo, do limite, que jamais obterá êxito,
A não ser o da destruição
Do desenvolvimento interno
Do sujeito necessitado,
Por simplesmente não ser capaz e não ter
Para oferecer mais do que obteve.

02/03/2017

Cinza dias

Dias em que tudo é cinza, 
Sem cor, somente a cor 
Escura que ainda há menos 
Obscuridade. 

Dias cinzas convidativo 
Ao incomodo, ao inquietante, 
Estranho.

Dias cinzas que toca 
O mais tocante do íntimo 
Guardado à sete palmos 
De si mesmo. 

Dias cinzas é intrigante,
Solícito à nós, 
Convidando a desnudarmos 
De ideias maquiáveis, 
De sorrisos artificiais, 
De pele intocável, 
De olhos cegos, 
De nós mesmos. 

Borbulha no interior 
Os pássaros que querem à liberdade, 
Mas que  por birra pueril insistimos em
Mantê-los aquietados, alimentando-os, 
Por medo da expansão que eles podem 
Causar à nossa alma amedrontada 
Por faltas, por amores sequestrados, 
Por desamparo, por alimento faltante 
Do seio mau, do que era para ser, 
Mas que por motivos quaisquer, 
Deixavam-nos à mercê do acaso.  

Dias cinzas insistem em 
Fazer com sejamos tocados
Pelos sintomas, 
Por aquilo que causa, 
Por nós mesmos. 

02/03/2017

Goteja(dor) de sintomas

Palavras mal-ditas
Que estão engasgadas...
Buscando sair por algum lugar,
Que borbulha e arde como lavas
De um vulcão adormecido.
Sujeito faltante,
Acumulador de palavras,
Do som que evita ouvir,
Que evita sentir o toque.
A palavra persiste em toca-lo
E mata o suposto ser que fora dia desses,
Quando as liberta,
A palavra maltrata seu corpo,
Quando não-ditas.
O não-dito é causador de sintomas,
mas é difícil ao sujeito
Nomear a palavra que represente
à dor que sente,
E que traz certo desconforto e prazer.
É tão dele quanto de
Qualquer outra parte
Que molda seu corpo significado,
a palavra é deixar ir o que o causa,
É trazer significante ao corpo
Que deseja falar sem nomear,
Sem ser nomeado.
02/03/2017

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Grades

As grades aqui fora também 
Sufocam os corações amarrotados
De etiqueta.
As grades aqui fora também
Embelezam pessoas vazias
De si mesmas.
As grades aqui fora
Também impedem que a arte
Do sujeito se expresse, formando corpo.
As grandes aqui fora também
São repressoras.


17/02/2017

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Sujeito

Sujeito
É inconsciente cheio de arte pitoresca, 
É corpo que atua 
Na pro-cura de tonar-se SER.
Resistir e persistir no tempo

Através do imaginário.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Tocante corpo

tocando-te,
estou a tentativa 
de me tocar, 
assim nos tocamos
também, 
num só tom,
numa só sintonia.