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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A BUSCA ANALÍTICA


Situado numa poltrona, 
Penso, quando não quero...
Rasgado por dentro, 
Quase ou sempre 
Não encontro palavras
Para situar-me através 
Da escuta do que me falta.

[Falo para que um dia
Eu possa ouvir e recalcular 
A rota, a minha rota.]

Sempre há algo em mim
Que me ultrapassa, 
surpreende e me faz desejar
Mais, ainda o que desconheço.

[Sou exatamente o que 
Não posso descrever...
Repito para fazer algo novo 
Do que me falta]

Sigo sempre tentando 
Fazer novo algo que do
Passado me faz causa.

Maicon Vijarva

2017/12/19

TRÍADE DA VIDA


[O passado se envolve 
com o presente na mesma
intensidade que 
o futuro se envolve 
com o passado.]

O presente só é
O caminho para o sujeito
Fazer melhor [ou não] com a 
Forma com que 
Goza sua vida,
Sempre se havendo
Com a responsabilidade
Do passo dado.


Maicon Vijarva
2017/12/19

INSISTÊNCIA EM EXISTIR


As cores estão 
Despontando
Dentro de mim
E numa tentativa
De tentar sobreviver
Nutro uma esperança
Que corajosamente
Me faz subir até
As bordas para respirar
E continuar
Continuar
Continuar
Mas de onde vem essa
Esperança que me
Faz desejar
Existir no mundo?
A felicidade é enquadrinhada
Em moldes surreais
E esses ideais são sufocantes
De ultrapassar
Atravessar.
Corro para dentro de mim
Quando nada de inútil
Posso encontrar lá fora
E parece ser profundo e sem
Borda e forma aqui dentro
Ninguém pode entender
O quão assustador é estar
Em silêncio em si mesmo
E ouvir tantos pensamentos
Que talvez nunca encontre palavras para serem lidos, ouvidos e
DITOS.
Percorro todo meu corpo
Buscando respostas que
Possam me guiar a algum lugar
A algum destino que não seja o
Agora...
[Viver é um oceano de apostas
E as apostas mais altas são quando nada se têm a oferecer senão a si mesmo. E apostar a si mesmo é uma loucura que não é para qualquer humano.
Assusta saber que mesmo que haja multidões ainda se estará sozinho e desejar montanhas e céus e mares e vidaaaaaa é um ato audacioso.
A vida é maravilhosa, porque nós sujeitos faltosos insistimos em fazer algo ser novo, diferente e inesquecível.
As belezas da vida são pintadas por cada um que, as duras peles, faz de um tudo e mais, ainda... para existir.]
2017/12/24

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Carta de amor

Escrevo para esgotar o que me excede, que transborda sem limite. Trata-se de algo que falta vocabulário para expressar o oceano que se move em mim.

A minha voz soa um som embargado de uma tonalidade azul-turquesa de dor, de amor e infinitos outros sentimentos que não consigo descrever, por não haver uma palavra que o caiba.  A intensidade é o que me ocorreu ao ver seu sorriso pela primeira vez.

Eu, que jamais imaginária sofrer tanto por amor, pude ao mesmo tempo ser tão abençoado por ele. Te amar me ensinou que mesmo diante do impossível é possível criar caminhos e plantar imensidão de coisas para colher num futuro-próximo.

Amar você me tornou uma versão melhor-de-mim-mesmo, me trouxe um fôlego de movimento desejante... de buscar inspirações. Te amar foi tão louco, que é impossível caber num texto, num livro ou em qualquer outro meio de linguagem.

O amor que sinto por você me faz voar e desejar mais, ainda! Mesmo que todo esse sentimento traga certa dor por não mais tê-lo perto de mim, faz com que eu aprenda a fazer melhor com esse mesmo amor que me ensinou a respeitá-lo como você é, e que é preciso deixar ir, sem manter em cárcere privado.

Te amar é uma das coisas mais loucas que me aconteceu nos últimos tempos. Amar-te é de uma cor mais intensa que possa existir, de tirar o fôlego e dar esperança de percorrer ainda mais esse caminho do amor. 

Te amar me faz sentir humano, sem controle, sem fim... transbordo.

O amor que sinto por você me faz ver que o melhor de tudo é seguir amando para viver sem ressentimentos que pode cessar o existir.

Te amar é algo inexplicável. 
Te amo.

16/12/2017

segunda-feira, 20 de março de 2017

O corpo em transformação

A estrada desbota
E já não é mais possível observar
O caminho que se encontra para além
Do horizonte, por detrás da neblina
De um corpo adormecido.

O corpo rasteja e sussurra em movimentos.
Por não poder dizer-se em palavras,
Grita em sons desajustados e solenemente
Espirra estalar de nervos, ossos e alma.

Em seus esforços exaustivos,
O corpo se descobre em si mesmo,
Através de memórias do abismo inconsciente,
Na esperança de libertar-se da
Temporalidade.

19/03/2017

quarta-feira, 15 de março de 2017

A temporalidade do corpo

Brooke Shaden Photography

Em algum momento do tempo, em análise, acabamos nos perdendo do tempo. Talvez, seja por aproximar o corpo do ambiente ao corpo do sujeito que ali se descobre. O relógio antiquadamente misterioso preserva o sujeito do tempo cronológico e dá uma possibilidade outra de existência. Mas há um além, existe o tempo que se observa atentamente cada detalhe que se mostra aos olhos, das formas em que o corpo se posiciona em um ambiente estranho, no entanto de um aspecto quase que comum, não fosse o cheiro e campo peculiar que apresenta.

Um espaço que por alguns minutos torna-se seu, que logo traiçoeiramente vem em mente uma voz que articula ‘mas há outros que usam esse espaço’. A curiosidade se instala em saber quem o são e quais razões o trazem aqui? Em passo acelerado o tempo passa. Não há quase tempo para pensar o que causa e acusa o sabor e dessabor da existência de nós mesmos. Entrar em análise é um sacrifício de renuncia, tempo e paciência.  

Há o desejo de falar, mencionar cada detalhe do que passou e passa em nós e o quanto pesa o fardo. O outro alguém avisa que o tempo esgotou. Ainda perdido e pego de jeito pelo tempo, esbraveja um ‘poxa vida, quase não se falou o que precisava ser dito’. No achismo o sujeito pensa que a análise dura apenas os minutos do espaço em que habita dois corpos. A análise percorre por algum tempo mais, como se pudesse dizer o que não pode ser dito. 

Quando o relógio pinta o tempo final da sessão, existe um espaço alucinado que desenha um suposto corpo do sujeito reflexivo por alguns minutos ou horas a mais após a sessão de análise. O sujeito vai se construindo a partir deste corte do seu tempo na sessão e passa a dar corpo às suas angústias e a pensar a si mesmo. 

A temporalidade do corpo é uma estrutura organizada da causa que traz movimento à existência do sujeito que se escreve, inscreve e descreve antes, durante e depois da análise. 

O tempo esgotou, até a próxima.

segunda-feira, 6 de março de 2017

A escrita do sujeito

A ocasião é de tempo em transformar feridas, construir novas possibilidades e oferecer aquela repaginada a si mesmo. Retocar um fiozinho aqui, outro ali. Passar aquela sutileza base para deixar tudo mais bonito ao espelho, conhecer a si mesmo é árduo, mas pode também oferecer um realçar externo sem nenhum problema.

Transformar é um ato de coragem em se desnudar em publico, só com o detalhe que o publico é somente você. De um angustiar pálido horripilante, por correr o risco de se moldurar numa pitoresca imagem distorcida de si mesmo.

Sem dúvida! A transformação é um ato de coragem, de audácia para com si mesmo. Alguns sujeitos escrevem letras, palavras e aproximam tudo e, quando menos percebem, fez-se um poema.

Não significa que tudo seja motivo de poesia. Pensando bem, a vida por si só é poesia. Tudo respira e se faz poesia. Fica difícil não escrever ou recitar poemas e poesias em voz alta para si mesmo, enquanto caminha distraidamente por qualquer lugar que se possa caminhar. Embora seja um tanto perigoso pensar, se deixar em devaneios quando não há segurança externa. Mas isso também é um pensar poético. Ou não?

É inevitável não ser poético quando a poesia se torna algo tão inspirador e talvez até um refúgio em tempos de aguaceiro de emoções. Mas é difícil escrever, não é fácil não. Sempre se busca encontrar a palavra certa a se dizer. Ninguém quer ser eternizado de qualquer jeito, parido as pressas sem gozar um pouquinho da dor do parto em lugar banhado de cheiro suave, prazeroso e suficientemente bom para se nascer.

Assim se dá os poemas, poesia. Mas tem poemas que são perfume, são paridos debaixo de barracas de peixe em praça publica de Paris, Pernambuco, Minas, Bahia, Rio de Janeiro e outros mais. São de um teor poético de chorar as pitangas e ralar os dedos de tanto limpar as lágrimas.

Ao deleitar-se na escrita o sujeito precisa navegar por águas tumultuosas de um intenso infinito abaixo de si mesmo. É...vai lá saber aonde se pode chegar, há quem desista no meio do caminho. Será que existe essa possibilidade? Quem escreve quer parir, não somente a si mesmo, mas um sujeito outro que precisa de ar puro, ar além do seu mundo interno.

Céus, poesia só fala desse tal sujeito de si mesmo? É barbárie com o sujeito que escreve, piedade com quem se descreve, que mesmo se dando chicoteadas, ainda se delicia com o suposto saber que se extrai ao se escrever, descrever.

Desabrocha em lágrimas quem escreve, por tolerar quem grita as palavras, acalmando-o e dando amor em momento de tanto caos. Enquanto a lágrima escorre pelos olhos, se turva em um rio que deságua em palavras, que se tornam poemas e poesias.

Quem escreve morre enquanto tenta transbordar a si mesmo, numa ilusão de liberdade.

Eu só quero agradecer a ti.

Eu quero te agradecer pelos inúmeros toques que me fez sentir,
Eu quero te agradecer pelas inúmeras vezes que me olhou sem titubear,
Dizendo através do som doce e pueril de sua voz o melhor de mim,
Agradeço pela capacidade de olhar devagarinho para mim,
Na intenção de demonstrar a importância de mim em mim, em ti, em nós.

Eu quero te agradecer por respirar próxima a mim,
Aquecendo e trazendo levemente minha realidade aos pés,
Eu quero te agradecer por me fazer tão bem em tempo
Em que tantos já tocaram, olharam e disseram tudo depressa demais.

Eu quero te agradecer por você sentir extrair o mais belo
De quem sou e dizer que o que eu achei que fosse um horror
Também faz parte e torna o belo ainda mais fiel e verdadeiro.

Eu só quero te agradecer por acreditar em mim,
Desculpe eu escrevo demais, era só para expressar o quanto
Você causa em mim.

06/03/2017

Do poema que fiz

Posso lhe dar razões
Por que te quero
Posso até arriscar a compor
Centenas de canções de amor,
Para que fique, se abrigue.
Mas o que te move a ficar
Quando o mundo
Também te oferece
Tudo que eu posso lhe dar?

06/03/2017

domingo, 5 de março de 2017

O limitar do corpo

Não caibo no corpo
Enquanto estou sendo
E quando penso existir,
Muito há para se descobrir
Sobre o sujeito eu, que sou sem perceber.

Não caibo no corpo
Ao ser possuído pelo medo
Que transborda para presa de mim mesmo,
das faltas e sintomas
Que preenche o corpo limite.

Não caibo no corpo
Quando o sujeito que escreve
Está a ser para si mesmo.

Não caibo no corpo
Na busca de encontrar
E reconhecer o sujeito
Que se é.

O sujeito só cabe em corpo,
No entrelaçar da sua vida
Com o outro, que o confirma no real
Junto ao outro,
Não pelo outro.

17/12/2016